Brigada Militar e Guarda Municipal atacam manifestantes em Porto Alegre.

Aterrorizantes os relatos (e imagens) da repressão policial à manifestação popular que ocorreu ontem, dia 04 de outubro, no centro de Porto Alegre, quando um grupo de manifestantes se reuniu no protesto chamado “Em Defesa da Alegria”, contra as políticas repressivas e de higienização da atual prefeitura de Porto Alegre. A Brigada Militar e a Guarda Municipal reprimiram a manifestação com violência, utiliando tasers, cacetetes, balas de

A população não recebe toda esta proteção.

borracha e bombas de efeito moral. quebrando e confiscando celulares e câmeras digitais até o ponto onde, segundo relatos, cinco policiais cercaram uma menina e a espancaram.

A violência policial teria ocorrido quando os manifestantes decidiram fazer uma ciranda ao redor do boneco inflável do mascote da Copa do Mundo, que estava cercado e rodeado de policiais do BOPE, recebendo um nível de proteção que a população de Porto Alegre nunca recebeu.

Vídeo mostra policiais batendo em manifestantes que estava filmando a manifestação:

“A ação da polícia agredindo manifestantes ontem, inclusive, aqueles que estavam apenas tentando registrar as agressões também apanharam. Alguns tiveram suas câmeras capturadas ou quebradas. Se o que polícia faz é legal, por que não pode ser registrado? Ou não é legal?” – Jefferson.

Confira os relatos de testemunhas, publicados na página da manifestação:

“Por volta das 23h30 algumas pessoas invadiram o espaço “destinado” ao mascote da copa, e outras se posicionaram em volta dele, ainda com músicas e gritos de protesto contra o prefeito Fortunati. A brigada, que estava com sua tropa de choque posicionada em volta do Tatu durante todo o evento, usou agressão na tentativa de tirar os músicos que estavam dentro da área do mascote. A partir de então, outros manifestantes se direcionaram ao Tatu, derrubando as grades que o protegiam, com intenção de derrubá-lo. A repressão foi violenta, e direcionada a pessoas que não tinham participação alguma no evento. Não se poupou o uso de cacetetes e bombas de gás lacrimogênio. A agressão iniciou pra defender um símbolo da fifa, da coca-cola, da privatização da nossa cidade, mas foi além, acabando em uma agressão excessiva e generalizada.” – Ingrid.

Manifestante agredido pela BM sangra na calçada.

“Vi cinco guardas municipais dando choque num cara, eu tava filmando quando outro guarda municipal deu uma cacetada na minha câmera fazendo ela cair e se quebrar toda. Ele pegou a câmera e disse: “Aqui não é para filmar nada”. Enquanto isso outro guarda municipal quebrava o celular de alguém que também deveria estar filmando.” – Samantha.

“Após a dispersão em massa dos manifestantes, cerca de dez pessoas se juntaram para tentar organizar uma ida à delegacia demandar a liberdade dos manifestantes que foram detidos. Essas pessoas começaram a ser ofendidas e ameaçadas pelos policiais, e ordenadas para se retirar. Algumas outras testemunhas que olhavam mais de longe reclamaram da conduta dos policiais e foram agredidas, e o grupo se disperou. Em seguida, vários policiais seguiram correndo pela Borges de Medeiros e pela Rua Uruguai perseguindo as testemunhas.
Nesse meio tempo, um rapaz fez um protesto solitário no qual batia em um cartaz caído no chão. Por alguma razão, oito soldados correram para reprimi-lo, e o coordenador da segurança – aquele homem de terno, o mais sério de todos durante o festival – saiu correndo desesperado atrás dos soldados gritando “não bate” não bate!”. Bateram. E muito. Com golpes de cassetete enquanto o rapaz estava encolhido no chão. Foi surreal ver as ordens desesperadas do chefe da segurança sendo desobedecidas por policiais claramente dedicados à agressão gratuita.
Logo em seguida, começaram a ameaçar e expulsar todas as outras pessoas próximas a prefeitura, inclusive moradores de rua que só estavam de passagem. Um policial nos disse “saiam que a coisa vai feder. Nós só estamos fazendo nosso trabalho”. Nessa hora, fomos todos expulsos.” – Bruno.

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