E o pedestre que morra.

A tendência nas últimas décadas têm sido só o “alargar avenidas, garantir o fluxo de veículos”, não importando os custos ambientais e de qualidade de vida que isso tiver. E essa máxima está chegando cada vez mais a níveis absurdos.

Me senti impelido a “roubar” essa foto que um amigo meu fez, pois essa calçada na Avenida Cristóvão Colombo é um exemplo grotesco:

Essa calçada ilustra a irresponsabilidade da Prefeitura Municipal e tem no máximo (se é que tem!) 40 ou 50cm de largura. Não passa cadeirante, pessoas obesas e pais e mães com carrinhos de bebê são forçados a andar pela rua. O direito de ir e vir e a segurança do pedestre cerceados para que pessoas egoístas que andam sozinhas em um veículo de uma tonelada possam se deslocar rapidamente sem enfrentar congestionamentos.

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A Morte das Ruas

Alameda Raimundo Corrêa, ameaçada pelo asfalto e pelo trânsito pesado.

Cada vez mais conforto e espaço para a circulação dos carros em detrimento da qualidade de vida e da beleza de nossas ruas. A deterioração do espaço público em função do trânsito de automóveis é visível a olhos nus. Diariamente pode-se constatar o andamento alguma obra que degrade o espaço público para privilegiar o fluxo de veículos, sejam viadutos e elevados, duplicação de avenidas ou alargamento de ruas com estreitamento de calçadas. Já tiraram até um pedaço do Parque Marinha do Brasil para fazer a duplicação de uma via.

Estamos privilegiando o “passar rapidamente” em detrimento do “viver o lugar”. E assim, com cada vez mais vias para trânsito rápido e menos lugares bonitos, agradáveis e acolhedores, temos que nos deslocar cada vez distâncias maiores para encontrar um lugar interessante para se estar. Gasta-se uma enormidade de tempo e recursos viajando milhares de quilômetros até a Europa ou as cidades coloniais ainda preservadas da América do Sul para desfrutar de ruas estreitas, tortuosas e calçadas com

Terceira Perimetral, na mesma região da Alameda Raimundo Corrêa.

paralelepípedos, quando poderíamos estar apreciando isso aqui mesmo, na nossa cidade, e tendo um dia-a-dia muito mais agradável.

Temos que parar de pensar em quanto tempo vamos levar pra chegar, e começar a pensar se o caminho é bonito ou não, se é um lugar onde vale a pena estarmos ou não. Temos que começar a construir uma cidade agradável, onde tenhamos vontade de viver e estar diariamente, e parar com essa mania imbecil colocar asfalto e concreto por tudo, transformando toda cidade num inferno chato, feio e quente.

 

Dois Pesos Duas Medidas?

De um lado a Prefeitura Municipal de Porto Alegre exige que os proprietários de imóveis removam os canteiros, floreiras e vasos da calçada, sob a alegação de que eles “impedem” o fluxo de pedestres, mesmo quando há mais de 1,5m de calçada em perfeitas condições para o uso de todos.

De outro lado os passeios públicos cuja manutenção é obrigação da Prefeitura estão no mais completo abandono: calçamento esburacado (quando existe!), calçadas estreitas demais com obstáculos que não permitem nem a passagem de um cadeirante, e a Prefeitura ainda dá permissão para carros estacionarem sobre a calçada. Confira no vídeo:

Parece que o verdadeiro negligente, que impede a circulação de pedestres e o coloca em risco é a própria prefeitura. Por que será que a SMOV não faz nada a respeito disso?

Assine nossa petição na barra à direita!

O que fazer se você foi notificado?

O que fazer se você recebeu uma notificação como esta da direita? Dirija-se até a recepção da SMOV (Av. Borges de Medeiros, 2244), pegue uma ficha na recepção e a preencha pedindo a revisão ou revogação da notificação recebida argumentando que a infração alegada não se aplica pois não há obstáculo algum que impeça a livre circulação de pedestres.

Você vai receber um papel com o número do protocolo, através do qual você pode acompanhar o andamento do processo.

Assine a Petição para impedir a destruição dos canteiros do Bom Fim

Clique aqui para assinar a petiçãocontra a absurda exigência da Prefeitura de Porto Alegre que exige que os proprietários de imóveis removam o que eles chamam de “obstáculos”: canteiros protegidos, floreiras, etc.

Vasos que "impedem a circulação de pedestres";

Canteiros "irregulares" que deverão ser removidos, segundo a SMOV.